terça-feira, 25 de outubro de 2011

            Ódio?
                         Florbela Espanca.

Ódio por ele? Não... Se o amei tanto,
se tanto bem lhe quis no meu passado,
se o encontrei depois de o ter sonhado,
se à vida assim roubei todo o encanto...

Que importa se mentiu? E se hoje o pranto
turva o meu triste olhar, marmorizado,
olhar de monja, trágico, gelado
como um soturno e enorme Campo Santo!

Ah! Nunca mais amá-lo já é o bastante!
Quero senti-lo d'outra, bem distante,
como se fora meu, calma e serena!

Ódio seria em mim saudade infinita,
mágoa de o ter perdido, amor ainda.
Ódio por ele? Não... não vale a pena...


Obs: Eu sabia que mais cedo ou mais tarde eu postaria esse poema, afinal é o ÚNICO poema que gosto...

Beijinhos, Bianca.

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