"23 de Outubro, Sábado.
Acabei de chegar.
Tomei banho e vim pra cá falar o quanto o dia de hoje, ou ontem, foi muito bom.
Agora são 00:35h
Ontem depois do colégio, vim em casa tomar banho e me trocar.
Peguei a Ice no colégio, ficamos um tempo na casa dela e de tarde fomos ao cinema.
Confesso que não vi quase nada do filme.
De noite, como eu tinha planejado, fomos pro apartamento do Vasco.
Entramos lá e começamos a conversar.
_ Ele me emprestou numa boa.
Ela começou a olhar meus olhos e pensei:
Eu não vou conseguir, vai dar tudo errado.
_ Mesmo? – ela disse.
_ É. Eu sei que parece mentira ou soa como se fosse um “favor”, mas não é! E também não foi nenhuma aposta ou coisa parecida...
Só me calei por que ela me interrompeu com um beijo, segurei a cintura dela e a abracei.
Jantamos, falamos sobre nosso dia, sobre minhas tentativas de planos pra hoje, sobre meu trabalho, sobre várias coisas, incluindo a primeira vez dela.
_ Amor, quando você estiver pronta acontecerá normalmente, e se for comigo...
Parei e sorri um pouco com o que eu disse.
Como assim “se for”? Será comigo.
Continuei:
_ E se for comigo, vou ser o mais natural e delicado com você.
Depois das 22hs ela começou a ficar preocupada com o horário, e eu até entendo.
_ Vai que o papai manda a polícia atrás da gente?
Eu ri tanto com essa dela.
Fui deixa-la em casa e ela me fez entra.
Pra nossa surpresa o Felipe já tava dormindo, subi pro quarto dela com ela, entramos e ela fechou a porta.
Ela colocou um CD no som, ligou o computador, ligou o ar-condicionado, pegou uma toalha e algumas coisas e veio falar comigo:
_ Fica a vontade, mas faz de tudo pro papai não acordar.
Ela quis me dar um beijinho, mas achei que merecia mais. A puxei pra mim e dei aquele beijo que a deixa sem fôlego.
Quando a soltei ela se apoiou no meu peito e eu ri da expressão dela.
Ela saiu do quarto e eu fui pro computador dela.
Mexi nas fotos dela, principalmente nas nossas.
Ouvi a porta se abrir atrás de mim depois de uns 10 minutos.
_ Tem todas as...?
Virei-me e a olhei dos pés a cabeça duas vezes, perfeição. Foquei nos olhos dela e ela disse:
_ Tenho todas as o quê?
Ela se virou e começou a guardar as coisas dela.
_ Hmm? Ah claro. Er... Tem todas as fotos aqui?
Ela sorriu pra mim e respondeu:
_ Quase. Tenho as do casamento, algumas no parque, tem daquele dia que saímos com a Bia e o Fred, e outras em família, ah, tem umas que a Bia obrigou nós dois a ficarmos estátuas pra poder tirar.
Ri com a lembrança.
_ Momentos bons.
_ Ótimos.
Ela se sentou no meu colo e me beijou.
_ Alice, você tá completamente indescritível, ou melhor, você é completamente indescritível.
_ Obrigada.
Ela beijou minha testa.
_ Percebeu que fazia muito tempo que não me chamava de Alice?
_ É, sou possessivo.
Ela me olhou como se não tivesse entendendo.
_ Tá, vou expressar meu pensamento melhor. Ice, quem te chama assim?
_ Você.
_ E quem mais?
_ A Gaby, mas só pra zoar com a minha cara.
_ Ok. Isso já explica muito.
Ela continuou a me olhar como se estivesse tentando, mas não conseguia me entender.
_ Ok. É mais ou menos aquilo que te disse no dia do casamento.
_ O fato de me ter nos braços?
_ É... Te chamo de Ice há quanto tempo?
_ Basicamente desde que começou a dar em cima de mim de verdade.
_ Eu queria que você lembrasse de mim. Como fui o cara que inventou “Ice” e que sou o “único” que te chama assim pensei que você lembraria de mim. Tipo, sei lá. Eu tô desaparecido e uma frase chega: “Ice, eu te amo!” Como sou o único cara na face da Terra que te chama assim você pensa: “Meu grande amor está bem!”
Ela riu muito da minha cara e tive que segura-la pra ela não cair do meu colo.
_ Essa foi a pior explicação que eu já escutei em toda a minha vida!
_ Fui tão ruim?
Ela balanço a cabeça num sim.
_ Ice, eu simplesmente amei passar o dia contigo. Na verdade eu amo passar cada segundinho que seja ao teu lado.
Ela passou as mãos nos meus cabelos e me agradou fazendo cafuné. Ela sabe que amo isso.
Minha linda pôs os lábios em minha orelha e sussurrou:
_ Eu te amo, para toda eternidade.
_ A última parte eu que inventei.
_ Eu sei.
Gentilmente ela se inclinou pra beijar meus lábios, e eu que estava quase ficando doido, a beijei com todo o ânimo que encontrei em mim.
Saí de lá por que já tava ficando tarde pra eu voltar pra casa.
Por nós dois eu tinha dormido lá, quando eu saí de lá o Felipe ainda tava dormindo.
Vou dormir.
Fui!"
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