sábado, 4 de fevereiro de 2012

"Sabe quando você fica triste do nada?"

Continuando...


Eu tava ali, completamente nua, envolvida nos braços dele, deitada em sua cama, coberta em seu edredom.
Por mim, eu não saia de lá por nada, mas meu orgânismo foi mais rápido que eu. Senti uma vontade imensa de fazer xixi e tive que me levantar.
_ Amor? Pra onde você vai? - Rafa disse tentando segurar meu braço.
_ Banheiro. - Peguei a toalha dele e fui ao banheiro...
Me olhei no espelho e por um momento eu não sabia quem eu via. Não demora muito e ouso batidas na porta.
_ Amor? Vai tomar banho?
_ Pode ser. - Respondi.
_ Vou pegar outra toalha então. Me espera.
Tomar banho com o Rafa é sempre muito bom, mas a minha cara de idiota tava bem clara!
Quando ouso novamente batidas na porta, saí do box e abri a porta. O apressado do Rafael, já entrou me agarrando e me beijando. Afastei meu rosto lentamente.
_ Dá pra se acalmar? Eu não vou fugir. - Disse a ele.
_ Eu tava com tanta saudade de você. Agatha, nunca mais faça isso comigo. Entendido?
_ Bobo.
_ Inteiramente.
Depois do banho, nos arrumamos e fomos até um parque que fica na metade do caminho da minha casa.
Descemos do carro dele e fomos passear de mãos dadas. Eis que no meio do caminho ele recebe uma ligação.
Beleza.
Quando ele desligou, ele parecia estranho, com aquela cara de "aconteceu merda".
_ O que foi? - Perguntei.
_ Nada. - ele sorriu - Vem, vamos continuar o nosso passeio.
_ Não. Eu não me movo até você me contar.
_ Bora, Agatha. Deixa de ser chata.
_ Não. Quem era no telefone?
_ Isso importa?
_ Claro!
_ Você nunca se importou com os meus telefonemas.
_ Tá. Mas acontece que enquanto você tava no telefone, a sua expressão não era nada boa. Vai me contar ou não?
_ Isso não vem ao caso.
_ Claro que vem.
_ Tá, que seja. Era a mamãe.
_ Hmm, e toda essa frescura, só pra falar que é a titia.
_ Tá vendo como não é nada demais?
_ Se não fosse "nada demais" você já teria dito que era ela.
_ Olha amor... Eu não quero falar sobre isso.
_ Tá bom então. Vamos fingir que não tem nada acontecendo, como sempre.
_ Ah não Agatha... A gente acabou de fazer amor e você vem com essa agora?
Ele tava certo, mas eu tinha meus motivos. O Rafa nunca me esconde as coisas. Eu não fico controlando quem liga ou deixa de ligar pra ele... Mas se era a titia, por que todo esse drama? Por que que ele não falava logo o que tava acontecendo?
_ Olha, eu vou deixar esse assunto de lado por enquanto, mas não vou esquecer. - Disse a ele.
_ Tá bem. E o nosso sorvete? Vamos tomar ou não?
_ Não quero mais tomar sorvete. Tem como me deixar em casa?
_ Ah pronto. Ficou chateada.
_ Rafa, não é isso.
_ Como se eu não te conhecesse.
_ É sério. Tenho que passar na casa do papai pra pegar as minhas coisas, pra poder voltar pra casa. O verão tá terminando, esqueceu?
_ Daqui à umas duas semanas, cada um numa facudade... Já pensou nisso?
_ Me deixa na casa do papai?
_ Hmm, eu te levo e fico te esperando. Pode ser?
_ Pode.
_ Mas antes, eu vou tomar o meu sorvete. - Ele me deu um beijinho e segurou minha mão.


#

Chegando na casa do papai, descemos do carro. Abri a porta e entramos.
As crianças como sempre, foram os primeiros a virem falar com nós dois.
_ Oi, Rafa? Bora jogar bola? - Binho todo animado, se esqueceu de mim e foi falar com o Rafa.
_ Caraca cara, como tu cresceu! Infeslimente não vai dar. A tua irmã só veio pegar as coisas dela, e eu tenho que falar com o teu pai. Ele tá aí?
Olhei com pontos de interrogação pro Rafa. Como assim ele queria saber do papai?
_ Ele tá no escritório. Te levo. - Binho segurou a mão do Rafa e começou a puxá-lo.
Quando eles passaram por mim, Rafa me beijou e a Marie disse:
_ Que nojo!
Eu ri da pequenina, e a carreguei.
_ Um dia você fará isso e eu direi "que nojo".
_ Esse dia nunca vai chegar.
_ Tá bom. Veremos...

#

Quando desci com as minhas coisas, não encontrei o Rafael, então me lembrei que ele poderia estar no escritório com o papai.
Bati duas vezes e entrei.
_ Oi, pai. Bença?
_ Deus te abençoe. - Papai respondeu, mas voltou a conversar com o Rafa.
O rosto do papai era sério, o que me deixou preocupada.
_ Obrigado, sogrão. Obrigado mesmo. - Rafa comprimentou o papai e veio até mim.
_ Rafael? Me mantém informado viu? Te vira, mas me mantém informado. - Papai disse.
_ Sim, senhor.
Saímos do escritório e o Rafa tava com a mesma expressão de quando a mãe dele ligou para ele nessa tarde.
_ Rafa, o que tá acontecendo?
_ Nada, vidinha... Não tá acontecendo nada.
_ É claro que tá. Olha a sua cara!
_ O que tem haver a minha cara?
_ Nada, esquece.
Saímos da casa do papai e confesso que eu agi como uma criança. Toda vez que o Rafa vinha querer me fazer carinho ou qualquer outra coisa, eu virava a cara e ele dizia:
_ O que tá acontecendo?
_ Nada, vidinha... Não tá acontecendo nada. - Respondi imitando ele.
Ele começou a rir feito um doido da minha cara, e eu disse:
_ Olha a minha cara, tô achando engraçado?
_ Eu também tava com saudades disso, acredita?
_ Com saudades do que? De me inritar?
_ Não. Da sua infântilidade.
_ Agora a infântil sou eu?
_ Sempre foi, né amor?
_ Então, a infântil retira tudo o que disse.
_ Ah Agatha, não faz drama.
_ Além de infântil, eu também sou dramática... Realmente, você me conhece...
_ Para de ser irônica.
_ Para de ser chato!
_ Aí já é  pedir muito né?
Virei a cara e enquanto ele dirijia até a minha casa, fiquei contando quantos carros pretos eu via passar.
_ Tá vendo o que? - Rafael me perguntou.
_ Carros.
_ Sério? Jurei que fossem discos voadores.
_ Se já sabia, por que perguntou?
_ Queria te ouvir. É muito desconfortável ficar sem te escutar.
_ Hmm...
Fiquei muda novamente, por uns dez minutos mais ou menos, até que o antipático do meu namorado me deu um cutucão na barriga.
_ Vais ficar calada mesmo? - Perguntou Rafa.
Olhei pra ele e cutuquei o braço dele.
_ Ai. - Reclamou ele.
_ É legal ser cutucado? Não né? Dói, não dói?
_ Óbvio que dói.
_ Então por que me cutucou?
_ Por que você tá chata?
_ Por que não quer me contar o que tá acontecendo?
_ Porque não precisa.
Ele se virou e fechou a cara. Voltei a contar os carros, mas parti pros carros vermelhos.
Chegamos em casa, peguei minha mochila e minha bolsa, desci do carro e fui abrir a porta.
_ Agatha? - Rafael me chamou.
Virei-me e ele ainda tava saindo do carro dele.
_ O que foi? - Respondi.
_ Eu posso entrar?
_ Por que tá perguntando?
_ Porque hoje eu não faço ideia se você me quer por perto ou não. Nem parece que acabamos de fazer as pazes.
Como ele sempre consegue virar o problema pra mim?
Abri a porta de casa e deixei minhas coisas no chão, encontrei o Rafael encostado no carro dele me observando. Fui até ele e o abracei.
_ Eu só não gosto quando você me esconde as coisas.

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