Entrei
no banheiro, tirei meu short e com camisa e tudo liguei o chuveiro e sentei
embaixo dele... Eu tava pensando em deixá-lo, o que me deixava cada vez mais
triste e mais chateada comigo mesma.
Eu não mereço o amor que ele me oferece, e nunca chegarei aos pés dele...
Sentada no chão, pego meu celular e começo a escutar música, molho meus pés e começo a chorar.
Mais alguns minutos de pura tristeza, e escuto abrirem a porta.
_ Pensei que tinha descido pelo ralo de tanto tempo que tá nesse banheiro.
Viro o rosto. Ele não pode me ver assim.
_ Amor? Aconteceu alguma coisa?
Permaneço calada, qualquer coisa que eu fale mudará tudo!
_ Agatha? Dá pra me olhar?
Viro o rosto e encontro o seu a centímetros do meu.
_ Meu amor, o que lhe aconteceu?
_ Eu não quero falar.
A verdade é que ele sabe. Ontem de noite, quando fui ao banheiro da casa dele, deixei minha agenda encima da cama dele aberta, e quando eu voltei o bonitinho tava com ela na mão. A puxei de suas mãos e me deitei com ele, lhe dando beijinhos.
_ Hmm, foi algo que lhe fiz? - Ele pergunta.
Balancei a cabeça negativamente.
_ Foi por eu ter lido a agenda ontem? É, que eu pensei que você tivesse me desculpado, depois daquele beijo que lhe dei...
_ Rafael, não foi nada que você me fez.
_ Foi o que ele fez, né?
Um fato: eu não consigo esconder nada do Rafa.
_ Eu sei que você gosta dele, mas eu não me importo... Eu tenho você aqui!
É tão boba a forma que ele fala sobre eu gostar de duas pessoas ao mesmo tempo, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo...
_ Deixa de ser boba. Arreda aí, deixe-me sentar com você.
Não movi nenhum milímetro, abaixei a cabeça e fitei meus pés, encolhi minhas pernas e as abracei. Ele passou por mim, se molhando todo, e se sentou ao meu lado.
_ Por que se molhou?
_ Não quisestes arredar, não lembras?
Apoiei minha cabeça em seu braço e ele me acolheu.
_ Podes me dizer, o que quer que seja. - Rafael disse ao beijar o topo de minha cabeça.
_ Eu não quero terminar contigo. - Disse chorando.
_ Então não termine.
_ Mas não posso te prender a mim.
_ Você não me prende... Eu só parei de andar com a galera, por que eu não vejo mais sentindo para andar com ela... Prefiro sua companhia, seus carinhos, sua voz, do que o papo de sempre, com as pessoas de sempre, com as briguinhas de sempre...
_ Tá me incluindo nessas pessoas?
_ Óbvio que não!
_ Mas quando brigamos, é sempre pelos mesmos motivos...
_ Meu amor, deixe de bobagem...
_ Eu não aguento mais isso.
_ Você me deixaria ir por quê?
_ Por que quero seu melhor, por que não posso te fazer feliz, não como você merece.
_ Mas se fosse ele, o deixaria partir?
Fiquei em silêncio.
_ Einh? Por que, não é o que suas anotações dizem...
_ Minhas anotações são apenas anotações, nada demais. Histórias bobas, só isso.
_ Tá, até parece. Antes de você e eu começarmos a namorar, você já era minha amiga, e uma vez me contou o que eu li ontem. Foi um sonho que você teve com ele, não é?
Como ele lembra?
_ Eu não... - Tentei falar, mas nada saía.
_ Se um dia você publicar ninguém irá saber a verdade, menos você, eu e ele. Ah, se ele ainda se lembrar.
A verdade é, que apesar de qualquer coisa, eu posso sempre contar com o Rafael, não só nas horas das brincadeiras, das palhaçadas, das viagens... É sempre! Quando eu tô na pior, não preciso nem chamá-lo e ele já vem...
_ Olha pra mim, por favor. - Ele pediu.
Levantei minha cabeça, olhando em seus olhos. Ele levou uma das mãos até meu rosto e se aproximou de mim, me beijando lentamente.
Afastei meu rosto lentamente, e ele fez com que nossos lábios se encontrassem novamente, o afastei, ele me olhou nos olhos e disse:
_ Não me quer mais mesmo, né?
_ Não é isso, tenta me entender.
_ Eu não só tento como muitas das vezes lhe entendo. Se eu perguntar uma coisa, você me responde?
_ Claro.
_ Você já me amou como disse?
_ Não só amei como ainda amo. É por isso o meu sofrimento, por que não consigo mais ficar com alguém que amo, e não conseguir fazer-te feliz.
_ E quem disse que eu não sou feliz?
_ Seu rosto, ele está gritando neste exato momento o quanto eu ti faço sofrer... E o quanto você não quer que eu perceba isso.
_ Agatha, olhe para mim, não me vejo mais sem você. Sexta-feira passada me peguei pensando no quanto eu desejo ter uma menina com você, o quanto eu desejo que ela tenha esses olhos incríveis que você tem. Você consegue imaginar isso? Quando eu não estou com você, é como se eu fosse o único ser vivo na face da Terra, é como se nem eu mesmo estivesse ali.
_ Acontece que eu não sei mais o que eu faço! - Disse quase gritando com ele.
_ Beleza. Pegue essa porra de telefone e ligue pra ele nesse exato momento. Por que, caralho, eu não aguento mais! Eu tô sempre aqui com você, pra você... Mas parece que você nunca vê! Parece que está sempre pensando nele, que na hora em que ele ligar você vai deixar tudo e vai encontrá-lo. Então, vá Por que agora, quem realmente não aguenta mais, sou eu.
Ele se levantou, passou por mim, pegou minha toalha e disse:
_ Já venho trazer uma outra pra você.
Assim, ele me deixou sozinha no banheiro. Tomei um banho com a água quase tirando o meu coro de tão quente que estava.
Eu torcia meus cabelos, quando ele bateu na porta e entrou:
_ Licença. Tá aqui a toalha. Desculpa a demora, a mamãe me ligou e parece que meu irmão foi parar no hospital.
O Rodrigo tem 8 anos e sofre de asma, então qualquer crise é um grande problema.
Me vesti nas pressas, entramos no carro e fomos para o hospital.
Chegando lá fomos até o quarto onde Rodrigo estava, ele dormia. Rafael saiu do quarto e eu o segui.
O silêncio tava tão insuportável, que me deu vontade de gritar, mas pensei melhor e falei com calma:
_ Eu preciso conversar com você.
_ Eu não quero mais falar sobre isso, de boa. Conversamos uma outra hora sobre isso. Sei lá, pega uns dias pra você, eu acho que também tô precisando de uns pra mim...
_ Hmm.
_ Pois é, vou desligar meu celular, ficar sem internet, quem sabe eu não viajo? Tenta fazer o mesmo, e depois conversamos.
Eu esperava coisa pior, mas o Rafa sempre é assim.
_ Hmm, então eu tô indo... Nos falamos por aí. - Eu disse.
Me virei e comecei a caminhar para a saída do hospital.
_ Mô? Hmm, Agatha? Eu te levo em casa.
_ Não precisa, eu pego um táxi.
Dei as costas novamente para ele, minha grande sorte é que na frente do hospital tem um ponto de táxi, então entrei no primeiro que eu vi, dei o endereço e segui.
Durante todo o percurso do hospital até a minha casa, fui pensando em tudo, começando pro que eu falaria pra minha mãe.
O táxi parou na frente de casa, eu disse ao motorista que eu não iria demorar, ele retrucou e eu também:
_ Olha, deixa essa merda rodando! Eu vou pagar, tá?
Fechei a porta do carro e fui correndo até a entrada, peguei minhas chaves e entrei.
_ Quem chegou? Ana? - Mamãe falou da cozinha.
_ Não, mãe. É a Agatha.
_ Hmm... Oi, querida, como foi?
_ O Rafa, e eu... Bom...
_ Vocês terminaram?
_ Não, mãe. Eu acho que não, mas ele pediu um tempo... Nós estamos precisando disso.
_ Mas ontem, vocês estavam tão bem...
_ Ontem, mãe... Ontem. Ah, eu vou dormir na casa do papai, passei por aqui só pra pegar umas coisas. O taxista tá me esperando lá fora.
_ Agatha?
_ Oi, mãe?
_ Se precisar, eu estou aqui.
Desci da escada e abracei a minha mãe. Dei um beijo em seu rosto e ela disse:
_ Eu te amo, querida.
_ Eu também, mãe.
Sumi. Fiz uma a mochila rapidamente. Peguei minha bolsa e desci.
_ Tchau mãe. Te ligo quando eu chegar lá.
_ Deus te abençoe, meu amor.
Saí de casa, entrei no carro e segui pra casa do meu pai.
Chegando lá, desci do táxi e paguei um absurdo pro taxista. Toquei a campainha e ninguém me atendeu.
Era só o que me faltava!
Toquei mais umas duas vezes, e na terceira minha madrasta atendeu.
_ Agatha, aconteceu alguma coisa?
_ Oi, Chris, posso entrar?
_ Claro, seu pai tá no escritório.
_ Hmm...
Eu mal entrei e já estavam chamando por mim.
_ Agatha, é a Agatha?
_ É sim queridos, ela está aqui na sala. - Respondeu Chris.
Marie e Fábio vieram ao meu encontro, os dois gritando pra brincarmos de algo que eu não conseguia entender.
_ Você vai brincar com a gente? - Fábio perguntou.
_ Maninho, eu tô tão cansada! Mas prometo que hoje, eu que contarei a história antes de vocês dormirem.
_ Qualquer história? - Marie perguntou sonhadora.
_ Qualquer uma...
_ Então eu quero a da Branca de Neve.
_ Não, eu quero Ali Babá e os quarenta ladrões. - Retrucou Fábio.
Os dois começaram a discutir e eu já tava cheia, então falei calmamente:
_ Eu conto as duas. Tirem no papel e tesoura, pra vermos qual história será a primeira.
_ Que ótima ideia. - Disse Chris para incentivar meus irmãos.
Eles subiram todos alegres, e eu atrás deles. Entrei em meu quarto e joguei minhas coisas na cama. Eu precisava falar com a Ana, mas ela tevia estar com o Fernando. Eu ligaria mais tarde.
Desci. Ainda na escada, Chris me chama da cozinha:
_ Agatha?
_ Oi? Eu tô indo lá no escritório...
_ Ótimo. Fiz uns cookies, leve para você com seu pai. Vou atrás com achocolatado quente.
_ Tem chá?
_ Já entendi. Hortelã?
_ Exatamente.
A Chris é como uma segunda mãe, eu a adoro muito.
Peguei o pratinho com alguns cookies e fui até o escritório de meu pai.
_ Toc-toc, licença. Como o senhor tá, einh?
_ Oi, querida. Tudo bem?
_ Indo... Mas e o senhor?
_ Trabalhando, como sempre.
Me sentei na poltrona e coloquei o pratinho na mesa de centro.
Começamos a conversar, a Chris chegou com o cappuccino do papai e meu chá de hortelã. Se sentou ao meu lado e conversamos mais um pouco.
Quando terminei meu chá, me despedi deles e disse que eu tinha prometido de contar duas histórias hoje, então, mãos à obras.
Subi. Fui no quarto dos meninos e os ajudei a se vestirem. Os deitei e comecei com A Branca de Neve. Não tava nem na metade da história quando notei que a Marie já tava dormindo. Passei pra história do Ali Babá.
Quando terminei a história, os dois já dormiam tranquilamente, dei um beijinho em cada um e fui pro meu quarto. Tomei um banho rápido, peguei meu celular e disquei meu número de emergência.
_ Agatha?
_ Ana? Oh, Ana.
_ Mamãe me falou, mas acho que não é tudo. Como assim vocês deram um tempo?
Contei tudo, absolutamente tudo pra minha confidente, ela me brigou, eu chorei, ela me consolou e eu continuei chorando.
No final de tudo, ela teve que desligar por que no outro dia ela tinha trabalho, me desejou boa noite e desligou.
Eu fiquei pensando nas besteiras que eu andava fazendo. Eu tava afastando mais uma pessoa que amo de mim...
Eu não queria perder o Rafa. Tudo, menos isso.
Eu não mereço o amor que ele me oferece, e nunca chegarei aos pés dele...
Sentada no chão, pego meu celular e começo a escutar música, molho meus pés e começo a chorar.
Mais alguns minutos de pura tristeza, e escuto abrirem a porta.
_ Pensei que tinha descido pelo ralo de tanto tempo que tá nesse banheiro.
Viro o rosto. Ele não pode me ver assim.
_ Amor? Aconteceu alguma coisa?
Permaneço calada, qualquer coisa que eu fale mudará tudo!
_ Agatha? Dá pra me olhar?
Viro o rosto e encontro o seu a centímetros do meu.
_ Meu amor, o que lhe aconteceu?
_ Eu não quero falar.
A verdade é que ele sabe. Ontem de noite, quando fui ao banheiro da casa dele, deixei minha agenda encima da cama dele aberta, e quando eu voltei o bonitinho tava com ela na mão. A puxei de suas mãos e me deitei com ele, lhe dando beijinhos.
_ Hmm, foi algo que lhe fiz? - Ele pergunta.
Balancei a cabeça negativamente.
_ Foi por eu ter lido a agenda ontem? É, que eu pensei que você tivesse me desculpado, depois daquele beijo que lhe dei...
_ Rafael, não foi nada que você me fez.
_ Foi o que ele fez, né?
Um fato: eu não consigo esconder nada do Rafa.
_ Eu sei que você gosta dele, mas eu não me importo... Eu tenho você aqui!
É tão boba a forma que ele fala sobre eu gostar de duas pessoas ao mesmo tempo, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo...
_ Deixa de ser boba. Arreda aí, deixe-me sentar com você.
Não movi nenhum milímetro, abaixei a cabeça e fitei meus pés, encolhi minhas pernas e as abracei. Ele passou por mim, se molhando todo, e se sentou ao meu lado.
_ Por que se molhou?
_ Não quisestes arredar, não lembras?
Apoiei minha cabeça em seu braço e ele me acolheu.
_ Podes me dizer, o que quer que seja. - Rafael disse ao beijar o topo de minha cabeça.
_ Eu não quero terminar contigo. - Disse chorando.
_ Então não termine.
_ Mas não posso te prender a mim.
_ Você não me prende... Eu só parei de andar com a galera, por que eu não vejo mais sentindo para andar com ela... Prefiro sua companhia, seus carinhos, sua voz, do que o papo de sempre, com as pessoas de sempre, com as briguinhas de sempre...
_ Tá me incluindo nessas pessoas?
_ Óbvio que não!
_ Mas quando brigamos, é sempre pelos mesmos motivos...
_ Meu amor, deixe de bobagem...
_ Eu não aguento mais isso.
_ Você me deixaria ir por quê?
_ Por que quero seu melhor, por que não posso te fazer feliz, não como você merece.
_ Mas se fosse ele, o deixaria partir?
Fiquei em silêncio.
_ Einh? Por que, não é o que suas anotações dizem...
_ Minhas anotações são apenas anotações, nada demais. Histórias bobas, só isso.
_ Tá, até parece. Antes de você e eu começarmos a namorar, você já era minha amiga, e uma vez me contou o que eu li ontem. Foi um sonho que você teve com ele, não é?
Como ele lembra?
_ Eu não... - Tentei falar, mas nada saía.
_ Se um dia você publicar ninguém irá saber a verdade, menos você, eu e ele. Ah, se ele ainda se lembrar.
A verdade é, que apesar de qualquer coisa, eu posso sempre contar com o Rafael, não só nas horas das brincadeiras, das palhaçadas, das viagens... É sempre! Quando eu tô na pior, não preciso nem chamá-lo e ele já vem...
_ Olha pra mim, por favor. - Ele pediu.
Levantei minha cabeça, olhando em seus olhos. Ele levou uma das mãos até meu rosto e se aproximou de mim, me beijando lentamente.
Afastei meu rosto lentamente, e ele fez com que nossos lábios se encontrassem novamente, o afastei, ele me olhou nos olhos e disse:
_ Não me quer mais mesmo, né?
_ Não é isso, tenta me entender.
_ Eu não só tento como muitas das vezes lhe entendo. Se eu perguntar uma coisa, você me responde?
_ Claro.
_ Você já me amou como disse?
_ Não só amei como ainda amo. É por isso o meu sofrimento, por que não consigo mais ficar com alguém que amo, e não conseguir fazer-te feliz.
_ E quem disse que eu não sou feliz?
_ Seu rosto, ele está gritando neste exato momento o quanto eu ti faço sofrer... E o quanto você não quer que eu perceba isso.
_ Agatha, olhe para mim, não me vejo mais sem você. Sexta-feira passada me peguei pensando no quanto eu desejo ter uma menina com você, o quanto eu desejo que ela tenha esses olhos incríveis que você tem. Você consegue imaginar isso? Quando eu não estou com você, é como se eu fosse o único ser vivo na face da Terra, é como se nem eu mesmo estivesse ali.
_ Acontece que eu não sei mais o que eu faço! - Disse quase gritando com ele.
_ Beleza. Pegue essa porra de telefone e ligue pra ele nesse exato momento. Por que, caralho, eu não aguento mais! Eu tô sempre aqui com você, pra você... Mas parece que você nunca vê! Parece que está sempre pensando nele, que na hora em que ele ligar você vai deixar tudo e vai encontrá-lo. Então, vá Por que agora, quem realmente não aguenta mais, sou eu.
Ele se levantou, passou por mim, pegou minha toalha e disse:
_ Já venho trazer uma outra pra você.
Assim, ele me deixou sozinha no banheiro. Tomei um banho com a água quase tirando o meu coro de tão quente que estava.
Eu torcia meus cabelos, quando ele bateu na porta e entrou:
_ Licença. Tá aqui a toalha. Desculpa a demora, a mamãe me ligou e parece que meu irmão foi parar no hospital.
O Rodrigo tem 8 anos e sofre de asma, então qualquer crise é um grande problema.
Me vesti nas pressas, entramos no carro e fomos para o hospital.
Chegando lá fomos até o quarto onde Rodrigo estava, ele dormia. Rafael saiu do quarto e eu o segui.
O silêncio tava tão insuportável, que me deu vontade de gritar, mas pensei melhor e falei com calma:
_ Eu preciso conversar com você.
_ Eu não quero mais falar sobre isso, de boa. Conversamos uma outra hora sobre isso. Sei lá, pega uns dias pra você, eu acho que também tô precisando de uns pra mim...
_ Hmm.
_ Pois é, vou desligar meu celular, ficar sem internet, quem sabe eu não viajo? Tenta fazer o mesmo, e depois conversamos.
Eu esperava coisa pior, mas o Rafa sempre é assim.
_ Hmm, então eu tô indo... Nos falamos por aí. - Eu disse.
Me virei e comecei a caminhar para a saída do hospital.
_ Mô? Hmm, Agatha? Eu te levo em casa.
_ Não precisa, eu pego um táxi.
Dei as costas novamente para ele, minha grande sorte é que na frente do hospital tem um ponto de táxi, então entrei no primeiro que eu vi, dei o endereço e segui.
Durante todo o percurso do hospital até a minha casa, fui pensando em tudo, começando pro que eu falaria pra minha mãe.
O táxi parou na frente de casa, eu disse ao motorista que eu não iria demorar, ele retrucou e eu também:
_ Olha, deixa essa merda rodando! Eu vou pagar, tá?
Fechei a porta do carro e fui correndo até a entrada, peguei minhas chaves e entrei.
_ Quem chegou? Ana? - Mamãe falou da cozinha.
_ Não, mãe. É a Agatha.
_ Hmm... Oi, querida, como foi?
_ O Rafa, e eu... Bom...
_ Vocês terminaram?
_ Não, mãe. Eu acho que não, mas ele pediu um tempo... Nós estamos precisando disso.
_ Mas ontem, vocês estavam tão bem...
_ Ontem, mãe... Ontem. Ah, eu vou dormir na casa do papai, passei por aqui só pra pegar umas coisas. O taxista tá me esperando lá fora.
_ Agatha?
_ Oi, mãe?
_ Se precisar, eu estou aqui.
Desci da escada e abracei a minha mãe. Dei um beijo em seu rosto e ela disse:
_ Eu te amo, querida.
_ Eu também, mãe.
Sumi. Fiz uma a mochila rapidamente. Peguei minha bolsa e desci.
_ Tchau mãe. Te ligo quando eu chegar lá.
_ Deus te abençoe, meu amor.
Saí de casa, entrei no carro e segui pra casa do meu pai.
Chegando lá, desci do táxi e paguei um absurdo pro taxista. Toquei a campainha e ninguém me atendeu.
Era só o que me faltava!
Toquei mais umas duas vezes, e na terceira minha madrasta atendeu.
_ Agatha, aconteceu alguma coisa?
_ Oi, Chris, posso entrar?
_ Claro, seu pai tá no escritório.
_ Hmm...
Eu mal entrei e já estavam chamando por mim.
_ Agatha, é a Agatha?
_ É sim queridos, ela está aqui na sala. - Respondeu Chris.
Marie e Fábio vieram ao meu encontro, os dois gritando pra brincarmos de algo que eu não conseguia entender.
_ Você vai brincar com a gente? - Fábio perguntou.
_ Maninho, eu tô tão cansada! Mas prometo que hoje, eu que contarei a história antes de vocês dormirem.
_ Qualquer história? - Marie perguntou sonhadora.
_ Qualquer uma...
_ Então eu quero a da Branca de Neve.
_ Não, eu quero Ali Babá e os quarenta ladrões. - Retrucou Fábio.
Os dois começaram a discutir e eu já tava cheia, então falei calmamente:
_ Eu conto as duas. Tirem no papel e tesoura, pra vermos qual história será a primeira.
_ Que ótima ideia. - Disse Chris para incentivar meus irmãos.
Eles subiram todos alegres, e eu atrás deles. Entrei em meu quarto e joguei minhas coisas na cama. Eu precisava falar com a Ana, mas ela tevia estar com o Fernando. Eu ligaria mais tarde.
Desci. Ainda na escada, Chris me chama da cozinha:
_ Agatha?
_ Oi? Eu tô indo lá no escritório...
_ Ótimo. Fiz uns cookies, leve para você com seu pai. Vou atrás com achocolatado quente.
_ Tem chá?
_ Já entendi. Hortelã?
_ Exatamente.
A Chris é como uma segunda mãe, eu a adoro muito.
Peguei o pratinho com alguns cookies e fui até o escritório de meu pai.
_ Toc-toc, licença. Como o senhor tá, einh?
_ Oi, querida. Tudo bem?
_ Indo... Mas e o senhor?
_ Trabalhando, como sempre.
Me sentei na poltrona e coloquei o pratinho na mesa de centro.
Começamos a conversar, a Chris chegou com o cappuccino do papai e meu chá de hortelã. Se sentou ao meu lado e conversamos mais um pouco.
Quando terminei meu chá, me despedi deles e disse que eu tinha prometido de contar duas histórias hoje, então, mãos à obras.
Subi. Fui no quarto dos meninos e os ajudei a se vestirem. Os deitei e comecei com A Branca de Neve. Não tava nem na metade da história quando notei que a Marie já tava dormindo. Passei pra história do Ali Babá.
Quando terminei a história, os dois já dormiam tranquilamente, dei um beijinho em cada um e fui pro meu quarto. Tomei um banho rápido, peguei meu celular e disquei meu número de emergência.
_ Agatha?
_ Ana? Oh, Ana.
_ Mamãe me falou, mas acho que não é tudo. Como assim vocês deram um tempo?
Contei tudo, absolutamente tudo pra minha confidente, ela me brigou, eu chorei, ela me consolou e eu continuei chorando.
No final de tudo, ela teve que desligar por que no outro dia ela tinha trabalho, me desejou boa noite e desligou.
Eu fiquei pensando nas besteiras que eu andava fazendo. Eu tava afastando mais uma pessoa que amo de mim...
Eu não queria perder o Rafa. Tudo, menos isso.
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